Roque Santeiro

Roque Santeiro é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo no horário das 20 horas, entre 24 de junho de 1985 e 22 de fevereiro de 1986, em 209 capítulos, substituindo Corpo a Corpo e sendo substituída por Selva de Pedra. Foi a 34.ª “novela das oito” exibida pela emissora. Escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva (Dias Gomes escreveu a trama até o capítulo 51 e posteriormente, do 163 ao 209; por sua vez, Aguinaldo Silva escreveu a trama do capítulo 51 ao 163) -, com base no original do próprio Dias Gomes, a peça de teatro O Berço do Herói, e escrita com a colaboração de Marcílio Moraes e Joaquim Assis. Foi dirigida por Gonzaga Blota, Paulo Ubiratan, Marcos Paulo e Jayme Monjardim, com a direção geral de Paulo Ubiratan e gerência de produção de Carlos Henrique de Cerqueira Leite. Contou com José Wilker como protagonista título. Ainda contou com Regina Duarte, Yoná Magalhães, Ary Fontoura, Eloísa Mafalda, Ilva Niño, Armando Bógus, Lucinha Lins, Rui Rezende, Cássia Kis Magro, Cláudio Cavalcanti, Lídia Brondi, Carlos Augusto Strazzer e Lima Duarte nos papéis principais. Em 2008 ganhou uma adaptação feita em formato de romance por Mauro Alencar para a coleção Grandes Novelas da Editora Globo. Em 2012, foi eleita pelo portal Terra uma das cinquenta melhores novelas de todos os tempos. Em 2016, a revista Veja elegeu Roque Santeiro como a terceira “Melhor Telenovela Brasileira” de todos os tempos, ficando atrás apenas de Avenida Brasil (2012) e Vale Tudo (1988).
TRAMA PRINCIPAL
Sátira à exploração política e comercial da fé popular, a novela marcou época apresentando uma cidade fictícia como um microcosmo do Brasil. A cidade é Asa Branca, onde os moradores vivem em função dos supostos milagres de Roque Santeiro (José Wilker), um coroinha e artesão de santos de barro que teria morrido como mártir ao defender a cidade do bandido Navalhada (Oswaldo Loureiro). O falso santo, porém, reaparece em carne e osso 17 anos depois, ameaçando o poder e a riqueza das autoridades locais. No dia em que o bando de Navalhada invadiu Asa Branca, todos os habitantes fugiram apavorados, enquanto Roque Santeiro desapareceu, sendo dado como morto. Logo após o incidente, uma menina que conseguiu sobreviver e disse ter visto o rapaz em uma visão. A notícia se espalhou, e Roque, tido como salvador da garota, foi santificado. Uma estátua em homenagem ao herói foi erguida em praça pública, e a população logo passou a lhe atribuir curas e milagres. A volta de Roque Santeiro e o reconhecimento de que tudo não passou de uma farsa significaria o fim do mito, prejudicando os interesses de todos os beneficiários da mentira, e também colocando em risco a sustentação da cidade. Os representantes das forças políticas, religiosas e econômicas de Asa Branca se dividem entre os que defendem que a verdade deve ser revelada e os que querem manter o falso milagre porque precisam dele para sobreviver. Entre os que se sentem ameaçados com a volta de Roque estão o conservador padre Hipólito (Paulo Gracindo), o prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura), o comerciante Zé das Medalhas (Armando Bógus) – principal explorador da imagem do santo – e o temido fazendeiro Sinhozinho Malta (Lima Duarte), amante da pretensa viúva do santo, a fogosa Porcina (Regina Duarte). Incentivada por Sinhozinho, Porcina – que sequer conhecia Roque – espalhou a mentira de que havia se casado com o santeiro, e acabou se transformando em patrimônio da cidade. Quando conhece Roque, apaixona-se de fato por ele, formando com Sinhozinho e o santo o principal triângulo amoroso da trama. A chegada de Roque Santeiro também atinge em cheio a vida de outra moradora de Asa Branca: Mocinha (Lucinha Lins), a verdadeira noiva de Roque. Mocinha nunca se conformou com o desaparecimento do noivo e esperou anos por seu amor, mantendo-se casta. Ao revê-lo, sua paixão reacende e ela se enche de esperança. Filha do prefeito e da beata Dona Pombinha (Eloísa Mafalda), ela é cortejada pelo soturno professor Astromar Junqueira (Rui Resende). Com o retorno do amado, Mocinha finalmente se entrega a ele, liberando sua sexualidade reprimida. Mas a personagem enlouquece ao término da história, perambulando pela cidade vestida de noiva. No capítulo final da novela, após muitas tensões e reviravoltas, Roque Santeiro concorda em deixar a cidade. O mito não é desfeito, e o povo de Asa Branca segue acreditando em seu santo. A dúvida sobre com quem Porcina vai ficar perdura até a última cena, que lembra o clássico Casablanca (1942), de Michael Curtiz. A viúva não sabe se embarca com Roque num avião ou continua na cidade ao lado de Sinhozinho Malta. Diferentemente da personagem de Ingrid Bergman no filme, porém, ela decide ficar com o coronel.
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